Diambe da Silva é nascida e criada na periferia do Rio de Janeiro. Sua produção artística se move entre cinema, escultura e coreografia e frequentemente lidando com materialidades como cimento, comida, gravura, fotografia e palavra que são elaboradas na medida em que cria comparsas em situação de diáspora. Esse corpo de práticas e objetos tem sido exposto em lugares como Museu de Arte do Rio (Casa Carioca), Paço Imperial (Esqueleto, uma história do Rio), Galpão Bela Maré (Transcendências), Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Arte Naïf; Estopim e Segredo), Carpintaria – Fortes D’Aloia e Gabriel (Escrito no corpo), Despina (Cartões de revisita) e 25º Salão de Artes de Anápolis. Também participou nas residências MAM/Capacete (2020), Despina (2019), Estado crítico (2018) e do programa itinerante Residência Cem Teto (2019-2020).
http://cargocollective.com/diambe
https://vimeo.com/387099169
Instagram: @diambe_eu_vc
Diambe é participante do Pivô Satélite #2
Em sua prática artística, Diambe da Silva (Rio de Janeiro, 1993), transita entre as esferas do audiovisual, da escultura e da dança, frequentemente explorando o cruzamento entre estes campos. Em sua proposição para o Satélite, a artista apresenta dois trabalhos inéditos, joão VI, pça XV (da série Devolta) e Einstein Remix. No primeiro, Diambe dá continuidade às suas coreografias de fogo executadas em torno de monumentos históricos do Rio de Janeiro.
Nestes trabalhos, a noção de coreografia é esgarçada ao passo em que diferentes agentes (“comparsas” da artista) são convidades a realizar um cordão de tecidos — uma “teresa” feita a partir de peças de roupas — em torno de estátuas públicas de figuras como D. Pedro I, D. João VI e a Princesa Isabel, controversos símbolos do triunfo do projeto colonial brasileiro. Após esta primeira instância ritualística, é a própria artista quem incendeia este cordão, criando um círculo de fogo cuja duração controlada não busca destituir as figuras de seus pódios públicos mas sim arquitetar uma poderosa, ainda que efêmera, imagem alegórica de inquirição sobre estes monumentos.
Já em Einstein Remix, a artista convida suas comparsas a realizarem, individualmente, uma leitura do poema homônimo do mineiro Ricardo Aleixo. Cada performer, a seu modo, busca decifrar o texto visual do poeta, originalmente diagramado como um tabuleiro de xadrez passível de inúmeras combinações linguísticas e vocabulares. Aqui, a noção de coreografia ganha outras nuances, em uma cacofonia coletiva cujas tentativas de elocubração acerca da figura de “deus” formam uma solitária pista de dança sustentada pela força da coletividade — assim como em outros trabalhos da instigante e potente produção da artista carioca.

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