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12:07 - 27/03/2026
ULTIMA ATUALIZAÇÃO::

Entrevista: Paulo Monteiro e Gokula Stoffel – Projeto Vitrine

Na terceira edição do Projeto Vitrine, o Pivô apresenta uma exposição inédita que nasce do encontro entre Paulo Monteiro e Gokula Stoffel. Dividindo uma vida e agora também um processo artístico, os artistas desenvolvem cerca de 30 pinturas em colaboração, criando um campo aberto em que identidade e linguagem se misturam dando espaço a um inconsciente compartilhado. A seguir, os artistas compartilham suas impressões sobre o processo.

 

Pivô: Como tem sido esse processo de criar juntos?

Paulo: Tem sido muito prazeroso, porque nos coloca em um lugar de liberdade em relação à ideia de identidade do artista. Existe um desejo de sair um pouco de si mesmo, dessa marca individual, que nunca desaparece completamente, mas que pode ser tensionada. Também tem sido interessante entrar no modo de fazer do outro.

Gokula: É uma dinâmica muito divertida. A gente entra num fluxo em que o foco deixa de ser individual e passa a ser o que o trabalho pede. As decisões ficam mais leves.

Pivô: E quais são os principais desafios?

Paulo: Um dos maiores desafios é saber quando parar. Como não há um objetivo fechado além da própria colaboração, o trabalho pode virar um pingue-pongue infinito, sempre aberto a novas intervenções.

Gokula: E junto disso vem a dificuldade de pensar o conjunto. São muitas imagens, muitas direções possíveis, então é preciso, em algum momento, criar um recorte dentro desse fluxo.

Pivô: Quando vocês olham para o que já foi produzido, o que aparece nesse conjunto?

Paulo: São imagens muito díspares — cenas, situações e elementos que não necessariamente se conectam de forma evidente. Talvez o que une tudo seja a experiência em si.

Gokula: Parece que tudo vem de um inconsciente compartilhado. Algumas imagens se repetem, certos elementos retornam.Tem uma dimensão de jogo, de liberdade, de experimentar sem compromisso com um resultado pré-definido. Paulo: Uma espécie de brincadeira séria, em que surgem coisas que não apareceriam no trabalho individual.

Pivô: O que vocês descobriram no processo um do outro?

Paulo: Eu me aproximei de uma liberdade maior com a cor e desse procedimento de deixar imagens surgirem a partir de manchas, algo muito presente no trabalho da Gokula. Isso acabou entrando no meu modo de trabalhar aqui.

Gokula: Eu fui me aproximando de aspectos da prática do Paulo, na forma como penso a estrutura, o contraste das cores, a vibração de cores opostas, certos acabamentos… Muitas vezes me pego imaginando o que ele faria, e isso vira parte do trabalho.

Pivô: Como funciona a dinâmica entre ação e conversa durante o processo?

Gokula: A conversa entra quando há algum impasse, quando não está claro como seguir. Mas, no geral, o processo é muito aberto. Isso exige também um certo desapego, uma abertura para que o trabalho mude completamente.

Paulo: É um pouco dos dois, mas principalmente de ação. Existe uma liberdade total de intervenção — um pode apagar, refazer ou transformar o que o outro fez.

Pivô: E como fica a questão da autoria nesse processo compartilhado?

Paulo: Fica bastante diluída, tudo se mistura. Muitas vezes nem dá para identificar claramente quem fez o quê.

Gokula: E, ao mesmo tempo, surgem momentos curiosos, como um certo “ciúme” de algo que o outro fez — uma sensação estranha de proximidade com aquilo, como se pudesse ter sido seu também.

Pivô: O que fica desse processo, para além da exposição?

Paulo: Fica o aprendizado, que certamente vai reverberar no meu trabalho. Algumas descobertas daqui vão continuar sendo exploradas depois.

Gokula: Fica a experiência de liberdade, de me libertar de regrinhas que eu mesmo crio. Aqui, no nosso processo, tudo isso tem caído por terra, vale tudo. É gostoso lembrar que existem muitos jeitos possíveis de fazer uma pintura.

Mais sobre o projeto

O Pivô apresenta a terceira edição do Projeto Vitrine, que toma como ponto de partida o encontro entre artistas que compartilham uma história comum, seja de amizade, afeto ou colaboração prévia, propondo que essa proximidade se torne o próprio motor da criação, um espaço onde a cumplicidade pré-existente entre os participantes se desdobra em obras que só poderiam existir a partir dessa relação. Nesta terceira edição, Paulo Monteiro e Gokula Stoffel foram convidados a criar juntos: dois artistas que compartilham uma vida, lançando o desafio de um encontro entre práticas distintas, em que a intimidade se torna matéria. Que ambos tenham passado pelo Pivô em outros momentos, torna essa edição também uma celebração dos quinze anos da instituição.

Saiba mais aqui.

Projeto Vitrine | Paulo Monteiro + Gokula Stoffel

📍1 a 21 de abril no Pivô Copan – Av. Ipiranga, 200, República, São Paulo
Abertura: 01/04 (quarta-feira), às 19h
Visitação: Terça a sábado, 13h às 19h. Domingo e feriado, 12h às 18h. Segunda (20/04), 13h às 19h
Entrada gratuita

📍8 a 12 de abril na SP-Arte – Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera, São Paulo
Visitação: 09 e 10/04, 12h às 20h | 11/04, 11h às 20h | 12/04, 12h às 19h
Ingressos para a feira em bilheteria.sp-arte.com

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