O tradicional Caruru do Pivô Boulevard chega à sua terceira edição reunindo, neste ano, três celebrações: os 15 anos do Pivô, os três anos em Salvador e o 15º Leilão Anual do Pivô.
Nos dias 4 e 5 de setembro, o casarão do Boulevard Suíço abre suas portas para uma programação gratuita que reúne corte de quiabo coletivo, ações artísticas, música e a oferta do caruru, preparado por Mãe Cida de Nanã, Iyá Egbé do Ilê Asipá.
Confira a programação:
Sexta-feira, 4 de setembro
A programação começa com o corte coletivo dos quiabos, das 15h às 18h, conduzido por Ekedi Sandra de Omolu. O encontro retoma o caráter coletivo que antecede a oferta do caruru, transformando sua preparação em parte da própria celebração.
Durante a tarde, a curadora e pesquisadora Anne Rodrigues apresenta uma seleção musical especialmente preparada para o encontro. Graduada em História pela UNEB, Anne desenvolve uma pesquisa na interseção entre história, música e política, com atenção aos movimentos musicais constituídos na diáspora.
Sábado, 5 de setembro
A partir das 12h, o Pivô Boulevard abre a casa com uma ação artística dos Alabês do Asipá — Mateus Asipá, Filipe Asipá e Alexandre Asipá, seguida da oferta do Caruru, preparado por Mãe Cida de Nanã, Iyá Egbé do Ilê Asipá. Após a abertura da casa ao som dos atabaques dos alabês, teremos uma participação especial em formato acústico de Genaldo Novaes, no violão, e Tonynho dos Santos, no saxofone, fundadores e integrantes da banda afro-urbano-baiana DNA Urbano, cujo repertório articula referências das culturas de matriz africana a sonoridades como ijexá, jazz, rock, samba e funk.
Anne Rodrigues acompanha novamente a programação com sua seleção musical e, das 14h às 16h, Piaba ocupa a varanda da casa com uma Roda de Samba Infantil. Conduzida por Júlia Maia, na voz, Jalmy, na voz e no violão de 7 cordas, e banda, a roda combina o cuidado musical da tradição do samba com a vitalidade do universo infantil, conectando crianças e adultos à força viva da cultura popular brasileira.
Às 16h, o público poderá acompanhar no Pivô Boulevard a transmissão ao vivo do pregão do 15º Leilão Anual do Pivô. A edição de 2026 reúne mais de 120 artistas de diferentes gerações e integra as comemorações pelos 15 anos da instituição.
Maria Aparecida Santos, conhecida como Mãe Cida de Nanã, é uma referência cultural cuja trajetória articula ancestralidade, religiosidade e práticas tradicionais afro-brasileiras. Baiana de acarajé desde os 22 anos de idade, exerce esse ofício há 32 anos, constituindo uma atuação que se afirma como expressão de identidade e resistência.
Iyalorixá do Ilê Axé Opô Iyá Detá, Mãe Cida ocupa um lugar central na condução e preservação de saberes sagrados, reafirmando seu compromisso com a continuidade das tradições de matriz africana. Descendente de uma linhagem de grande relevância histórica e simbólica, é bisneta de Mãe Senhora (Oxum Muiwa), neta de Mestre Didi, filha de Nídia Maria (Iyá Detá) e filha de santo de Mãe Stella de Oxóssi. Sua formação pessoal está profundamente vinculada ao Ilê Axé Opô Afonjá, território fundamental para a preservação e transmissão dos saberes de matriz africana no Brasil.
Sandra Ribeiro da Silva é Ekedi de Omolu e filha de Omolu, confirmada há quase 30 anos. Filha de santo de Mãe Stella de Oxóssi e filha de Obá Gessy, é também a primeira filha pequena de Mãe Cida de Nanã. Sua trajetória é atravessada pelos fundamentos e pelas memórias do Candomblé, em uma linhagem de mulheres que fizeram do terreiro espaço de continuidade, cuidado e transmissão de saberes.
Mateus Asipá
Mateus Asipá é guardião e agente de transmissão dos saberes tradicionais das religiões de matriz africana. É Ogã do Ilê Axé Opô Afonjá e Ojé do Ilê Asipá.
Músico e artista performático, desenvolve sua trajetória a partir da música afro-brasileira, dos toques, cantos e saberes tradicionais, realizando oficinas e processos formativos ligados à música e à transmissão desses conhecimentos. Sua trajetória artística também está vinculada ao Afoxé Pai Burokô e à atuação em performances independentes.
Mateus também participa de projetos e iniciativas sociais e culturais, como o Kajeun, e atua como Agente Territorial do Pivô Salvador, articulando arte, ancestralidade, território, memória e formação.
Filipe Asipá
João Filipe é ogan alabê do Ilê Àṣẹ Òyá Tolá, onde desempenha um papel fundamental na condução dos toques e cânticos que sustentam a tradição afro-brasileira. Também é amaixan do Ilê Àṣipá, fortalecendo os laços comunitários e espirituais.
Como músico dedicado à cultura afro-brasileira, João integra o Afoxé Pai Borokô, levando a força dos tambores e cânticos para além dos terreiros, em apresentações que celebram a ancestralidade e a resistência cultural.
Seu compromisso social se estende ao voluntariado no Projeto Kajeun, iniciativa da Associação dos Amigos do Ilê Àṣẹ Òyá Tolá, onde contribui para ações comunitárias e de valorização da cultura.
Além de minha vida cultural e espiritual, atua profissionalmente como Bombeiro Civil Industrial e Condutor Socorrista, integrando equipes de resgate na área industrial. Sou carreteiro, apaixonado por dirigir, sempre em movimento e pronto para servir.
Sou uma pessoa ansiosa, mas determinada. Encontro nos tambores, na estrada e no voluntariado formas de canalizar minhas energias e reafirmar a minha identidade.
Alexandre Asipá
Alexandre Pereira Ferreira é filho de Ogun, amaixan e alabê do terreiro Ilê Asipa, onde desempenha um papel importante no culto ao sagrado e conduz toques fundamentais da cultura afro-brasileira, preservando suas origens e dando continuidade ao legado deixado pelo Mestre Didi. Além disso, é integrante do projeto social Kajeun.
Piaba é uma roda de samba infantil que celebra as infâncias por meio da música brasileira, aproximando crianças da riqueza, da diversidade e da ancestralidade do samba. Com canções infantis de diferentes épocas recriadas na linguagem da roda, o projeto propõe uma experiência musical afetiva, coletiva e cheia de alegria, em que cantar, brincar, ouvir e compartilhar se tornam formas de encontro entre gerações.
Mais do que um show para crianças, Piaba entende a música como espaço de socialização, formação da escuta e construção de memórias. Conduzida por Júlia Maia na voz, Jalmy na voz e no violão de 7 cordas, e banda, a roda combina o cuidado musical da tradição do samba com a vitalidade do universo infantil, conectando crianças à força viva da cultura popular brasileira.

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