Local: Pivô Boulevard — Salvador, Bahia
Endereço: Rua Boulevard Suíço, 11A, Nazaré
O Pivô promove, na próxima quarta-feira (12), uma programação especial conectando dois projetos que integram a Temporada Brasil França 20025 e que têm como ponto de partida o Oceano Atlântico como espaço de memória, travessia e imaginação: Fios do Atlântico (Atlantic Threads / AT) + Eu Sou Um Oceano Negro (ESUON).
Às 15h30, a mesa “Fios do Atlântico (Atlantic Threads / AT) + Eu Sou Um Oceano Negro (ESUON)” propõe o diálogo entre os artistas e curadores Olivier Marboeuf, Cindy Sissokho, participantes do AT, e as artistas Salimata Diop e Beya Gille, do ESUON. Utilizando o Atlântico como metáfora da reconstituição de rotas históricas e afetivas entre África, Europa e Américas, os projetos refletem sobre como a arte pode reescrever as narrativas em torno do Atlântico: de território de perda e violência a campo comum de escuta e futuro compartilhado.
Logo após a conversa, às 17h, Olivier Marboeuf lança o livro “Fugas Decoloniais” (Editora Oficina Raquel) com participação da tradutora Ana Zambi. Na França, em poucos anos a obra se tornou referência aos estudos sobre os discursos de visibilidade das minorias e as políticas de diversidade cultural das grandes instituições. Utilizando o mundo da arte como ponto de partida — não como um espaço de emancipação, mas como um dos locais estratégicos da continuidade colonial —, a obra é um estudo contemporâneo que evidencia as estratégias utilizadas pela cultura e pela economia neoliberal para manter as estruturas das esferas coloniais.
O projeto Atlantic Threads, no âmbito da Temporada Brasil França 2025, conta com o apoio do Instituto Francês do Benin, e do Instituto Guimarães Rosa, com o patrocínio da PETROBRAS. A realização é do Instituto Cultural Acrópole, através do Governo Federal, Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura.
📍Mesa Fios do Atlântico + Eu Sou Um Oceano Negro e lançamento do livro Fugas Decoloniais
13 de novembro
Quarta-feira, às 15h30
Pivô Boulevard – Rua Boulevard Suíço, 11A, Nazaré
Curadora, crítica de arte e fundadora e diretora artística do Pivô, em São Paulo. Em paralelo ao seu trabalho na instituição, atua como consultora de arte latino-americana da Kadist Art Foundation, faz parte da equipe curatorial da feira italiana Artissima, é editora colaboradora da revista Frieze e integra o comitê de desenvolvimento da plataforma Ordet em Milão. Entre suas curadorias mais recentes estão as exposições individuais República, Luiz Roque (2020), Avalanche, Katinka Bock (2019), ambas no Pivô e as coletivas A Burrice dos Homens, na galeria Bergamin Gomide, São Paulo (2019), Neither, Mendes Wood DM, Bruxelas (2017), co-curadoria da exposição Caixa Preta, na Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre (2018). Seus textos já foram publicados em uma série de publicações, incluindo Textwork da Fondation d’Enterprise Pernod Ricard, Art Review, Terremoto, Mousse, Cahiers d’Art, além de contribuir com catálogos institucionais, nacionais e internacionais, e monografias para a editora Cobogó, MASP, Centre Georges Pompidou, Fridericianum e MOCA Detroit.
Cindy Sissokho é curadora, produtora cultural, consultora de arte e escritora, com foco em práticas anticoloniais, sociais e políticas dentro das artes e da cultura. Seu trabalho curatorial e de escrita é impulsionado pela urgência de ampliar e disseminar conhecimento e produção artística a partir de perspectivas sistemicamente racializadas e marginalizadas.
Atualmente, é curadora da grande exposição Hard Graft: Work, Health & Rights na Wellcome Collection, em Londres. Além disso, foi co-curadora do Pavilhão Francês — ao lado de Céline Kopp, representado pelo artista Julien Creuzet — para a 60ª edição da Bienal de Veneza, em 2024.
Olivier Marboeuf é autor-narrador, artista, curador independente, teórico cultural e produtor de cinema de Guadalupe. No início da década de 1990, junto com o autor franco-beninense Yvan Alagbé, fundou a éditions Amok (atualmente Frémok), uma editora de quadrinhos de pesquisa que lançou o lendário café literário parisiense Autarcic Comix. Mais tarde, tornou-se diretor artístico do Espace Khiasma (de 2004 a 2018), um centro de artes visuais e literatura viva localizado na periferia de Paris, dedicado às representações de minorias, contribuindo para a introdução das teorias pós-coloniais na cena artística francesa por meio de diversas exposições e encontros.
De 2013 a 2024, também foi produtor de cinema na Spectre Productions, onde produziu cerca de sessenta filmes de artistas e documentários em vários formatos. Atualmente, divide seu tempo entre escrita, desenho e atividades relacionadas a práticas de arte colaborativa. É membro fundador da Réseau Indépendant des Travailleur-euses et Acteur-ices de l’Art (RITAA) na Guadalupe, membro do RAYO, um programa de pedagogia experimental no Grande Caribe, e integra o conselho internacional da Akademie der Künste der Welt de Colônia.
Entre suas recentes bolsas e residências, durante o ano acadêmico de 2023/2024, foi contemplado com a Banister Fletcher Global Fellowship no University Institute of London em Paris (ULIP), onde iniciou uma pesquisa sobre o arquivo das presenças diaspóricas caribenhas em Paris e Londres. Em 2025, será escritor residente na Maison Baldwin (sede de Cassis).
Em 2022, publicou o ensaio Suites Décoloniales: s’enfuir de la plantation e a coletânea de poesias Les Matières de la Nuit, ambos pela Éditions du Commun. Em 2025, seu texto teatral La nuit juste avant le feu será publicado pela Editions Atlantiques déchaînés, enquanto a tradução para o português brasileiro de Suites Décoloniales será lançada pela Editora Oficina Raquel.

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