Mostra Ana Vaz: Pivô Salvador exibe gratuitamente dois filmes da cineasta brasiliense na Saladearte CineMAM
O Pivô Salvador apresentou, no dia 26 de fevereiro, os filmes Apiyemiyekî? (2019) e É Noite na América (2022) da cineasta e artista brasiliense Ana Vaz, na Saladearte CineMAM, no Museu de Arte Moderna da Bahia. A Mostra Ana Vaz traz dois títulos da artista que caminham junto a territórios assombrados pelas heranças coloniais. A mostra aconteceu como parte da passagem de Ana Vaz por Salvador, a convite do Pivô. A exibição foi uma sessão dupla, com os filmes sendo exibidos em sequência.
Em sua filmografia, Ana questiona o cinema enquanto arte do (in)visível e instrumento capaz de transformar a percepção do humano, expandindo suas conexões com outras formas de vida. Para a cineasta, embora distintos, os filmes “buscam, com algum furor, com alguma intensidade, nos dar a ver e a sentir também, histórias de soterramentos e apagamentos, que é a história da modernidade, e alguns possíveis caminhos de fuga no meio de tudo isso”, reflete Ana.
Apiyemiyekî? (2019, 29’) é um retrato cinematográfico dirigido por Ana Vaz que tem como ponto de partida o arquivo de Egydio Schwade, educador brasileiro e militante dos direitos indígenas, – Casa da Cultura de Urubuí – encontrado em sua casa em Presidente Figueiredo (Amazonas), onde estão preservados mais de 3.000 desenhos do primeiro processo de alfabetização dos Waimiri-Atraori.
Com base na pedagogia crítica do educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, os desenhos se tornaram um dos primeiros métodos de troca e produção recíproca de conhecimento. Durante esses exercícios de alfabetização, a pergunta mais recorrente feita pelos Waimiri-Atroari era: por que Kamña (“os civilizados”) mataram Kiña (Waimiri-Atraori)? Apiyemiyekî? (Por quê?).
Já É Noite na América (2022, 66’) é um filme gravado em 16mm no zoológico de Brasília, habitat de centenas de espécies resgatadas na cidade. Tamanduás, lobos-guará, corujas, cachorros-do-mato, capivaras e carcarás se encontram com biólogos, veterinárias, cuidadores e a polícia ambiental, numa trama soturna na qual os desafios da preservação da vida tece uma trama de perspectivas cruzadas e questiona quem, afinal, são os verdadeiros cativos.
Para a cineasta, o filme nasce do desejo de mostrar as violências de um governo de extrema-direita a partir daqueles que foram muito esquecidos da história. “Os que foram expulsos daquilo que a gente chama urbis, da cidade, que são os animais que foram removidos daquele lugar para a construção dessa utopia. Eu os considero como refugiados do grande projeto das plantações de monocultura. É Noite na América segue um pouco a trajetória desses animais que estão nessa sinuca de bico, nesse lugar muito tênue, ambíguo e difícil que é estar entre os dois mundos”, conclui a cineasta.
Após a exibição, a experiência se expandiu com a conversa aberta Torção do Olhar: Cinema e Insurreição no Pivô Boulevard, em Nazaré.. O bate-papo trouxe Ana Vaz ao lado da psicanalista Suely Rolnik, o arquiteto Dilton de Almeida e a curadora Fernanda Brenner para um encontro ritmado por projeções, caminhadas errantes, sessões de escuta, experiências sensíveis e conversas abertas. O evento teve ativação culinária com a Cozinha Sorriso.
SERVIÇO
Mostra Ana Vaz: exibição de Apiyemiyekî? (2019) e É Noite na América (2022)
Local: Saladearte CineMAM ( Av. Contorno, s/n)
Data: 26 de fevereiro (quinta-feira)
Horário: 14h30
Entrada gratuita
Sujeito à lotação
Classificação indicativa: 10 anos
Conversa aberta: Torção do Olhar: Cinema e Insurreição
Local: Pivô Boulevard (Rua Boulevard Suíço, 11A, Nazaré)
Data: 26 de fevereiro (quinta-feira)
Horário: 18h
Entrada gratuita

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