SATÉLITE
#8
O Pivô Satélite #8, concebido em parceria com a organização itinerante Persona Curada, evidencia produções de vídeo realizadas no Pivô em conexão com artistas da diáspora latino-americana na Europa, arriscando conversas e interfaces de experimentação entre criação e pesquisa artística no Brasil e na América Latina no cenário internacional. A ênfase no caráter processual, metodológico e especulativo deste recorte permite aproximar artistas cujas investigações lidam com materialidades diversas, tensionando formas tradicionais de criação e fruição da imagem em movimento em seus cruzamentos com o som, a performance, a animação e a arte digital.
Satélite #8
Instalação fotográfica | Colômbia | 2024
2’41’’ | Brasil | 2022
7’40’’ | Brasil | 2021
7’ | Brasil | 2021
16’58’’ | Argentina | 2021
24’54’’ | Chile | 2019
nota de apresentação_
Quero começar propondo a imagem mental da plataforma. O satélite é, para todos os efeitos, uma plataforma: uma base de sustentação sobre a qual podemos distribuir elementos distintos num mesmo plano. Daí podemos avançar para a ideia de plano em sua dimensão estritamente geométrica: uma superfície bidimensional, lisa e horizontal. Um satélite, no entanto, desestabiliza na mesma medida em que sustenta. Seu eixo de orientação não é fixo nem horizontal, pois está sujeito às forças de gravidade, aceleração e velocidade. Essa dinâmica altera continuamente a sua posição no espaço, transformando tanto a sua perspectiva sobre as coisas quanto a perspectiva das coisas sobre ele. Gostaria de convidar, finalmente, o olhar para os substantivos plataforma e satélite, compreendendo suas diferenças irreconciliáveis, mas sobretudo habitando as zonas de contato onde o plano estável de um se torna o eixo dinâmico do outro. Foi partindo desse exercício de deslocamento que concebemos o Pivô Satélite #8 em parceria com a organização itinerante Persona Curada, evidenciando produções de vídeo realizadas no Pivô em conexão com artistas da diáspora latino-americana na Europa, arriscando conversas e interfaces de experimentação entre criação e pesquisa artística no Brasil e na América Latina no cenário internacional.
O modelo híbrido da exposição ocupa a vitrine do Pivô Copan com cinco vídeos, uma peça sonora e uma instalação visual, em paralelo à mostra virtual na plataforma satélite, que disponibiliza todas as obras online e gratuitamente. Ao encarar este programa como um laboratório de pesquisa aberto, no qual investigações sobre imagem, novas mídias e pensamento curatorial tomam corpo virtualmente, as noções de plataforma e satélite retornam para situar nossa abordagem conceitual e prática.
A plataforma nos permite adotar uma prática criativa que redistribui e justapõe diferentes artistas e obras em um mesmo plano horizontal, mediando o contato entre elementos aparentemente distantes e acolhendo a intuição dos encontros contingenciais. Simultaneamente, o reconhecimento das assimetrias presentes em qualquer proposição curatorial faz da imagem do satélite o operador ideal para desarmar qualquer intenção de unidade, soma ou síntese na apresentação das obras.
Não é por acaso que os vídeos e derivações do acervo do Pivô presentes na mostra foram desenvolvidos na residência Pesquisa. A ênfase no caráter processual, metodológico e especulativo deste recorte permite aproximar artistas cujas investigações lidam com materialidades diversas, tensionando formas tradicionais de criação e fruição da imagem em movimento em seus cruzamentos com o som, a performance, a animação e a arte digital. A colaboração com a Persona Curada foi fundamental nesse sentido, já que convergimos na premissa da multidisciplinaridade e na leitura da obra audiovisual como materialização provisória de um processo de pesquisa contínuo. Aqui, tanto a prática artística quanto a curadoria operam como formas abertas de investigação.
Com sete artistas de quatro países, a programação abrange produções desenvolvidas entre Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e a diáspora latina na Europa. Reafirmando a abertura do programa a múltiplas linguagens, esta oitava edição incorpora uma peça sonora e uma instalação visual (esta última exclusivamente na exposição física). A obra de Rafael Moreno, exibida como instalação visual e representada na imagem inserida ao lado, antecipa diversas questões que atravessam as inquietações dos demais artistas. As pinocchias dispostas na Plaza Bolívar, em Bogotá, são manequins construídos a partir de retalhos de objetos encontrados. Na imagem, tudo evoca movimento, desde a angulação que sugere uma rotação da foto em seu próprio eixo até o voo iminente das dezenas de pombos ao redor. Essas figuras excêntricas convocam, a um só tempo, as artesanias e as materialidades que constituem o audiovisual, borrando as fronteiras entre o humano, o não humano e o mais-que-humano. Nesse arranjo, a obra também aciona as performances de gênero no espaço público e a precariedade de um sistema econômico da arte que não raro fetichiza a diferença no Sul Global. O movimento suspenso na praça abre caminho ainda para questões incontornáveis, que vão das querelas ambientais e da geopolítica das escalas à virtualidade da imagem digital, culminando nos ruídos, vozes e musicalidades que orbitam os trabalhos desta mostra_plataforma_satélite.
Pedro Azevedo
Junho de 2026
Pinocchia tales
R. Moreno
Instalação fotográfica | Colômbia | 2024
As esculturas de Pinocchia investigam a dívida como uma condição multidimensional (econômica, social e simbólica). Por meio de releituras feminizadas de figuras como Pinóquio e Frankenstein, e extraídas de ambientes e bens de consumo cotidianos, as obras examinam como os sistemas de obrigação estruturam as relações interpessoais e condicionam a experiência dos corpos no espaço público urbano.
SOBRE O PIVÔ SATÉLITE
Realizado desde 2020, o Pivô Satélite é uma plataforma digital dedicada à criação e à experimentação no campo da imagem em movimento, concebida como um espaço de pesquisa, curadoria e produção de obras audiovisuais pensadas para os ambientes online e físico. Mais do que um canal de difusão, o Satélite funciona como um laboratório de formatos, linguagens e modos de circulação do audiovisual contemporâneo, conectando artistas e públicos no Brasil e no exterior e ampliando as possibilidades de acesso e visibilidade às obras.
EQUIPE DA EXPOSIÇÃO
Fernanda Brenner
direção artística
Jaqueline Santiago
diretora executiva
Pedro Azevedo
Noelia Portela
curadoria
Cássia Viana
expografia e produção geral
Lucas Abner
produtor
Renata Furtado
gerente executiva
Mariana Marinho
gerente de comunicação
Ian Reis
Lara Perl
analistas de comunicação
Thyago Martinez
Maurício Sartur
Industria Visual
Cinelândia
materiais gráficos
Pedro dos Santos
Gustavo Martins
equipe de audiovisual
Fluxo
programação site
Bloco Gráfico
design gráfico
Ana Pigosso
fotografia registro
ETC Filmes
legendagem
Julia de Souza
tradução
Douglas Oliveira
monitoria
Marcos Aguiar
segurança
O Pivô agradece a parceria da Persona Curada e aos artistas Denise Agassi, Juno B, Liv Schulman, Maya Quilolo, Patricia Dominguez, R. Moreno e Wisrah C. V. da R. Celestino que cederam suas produções para a edição Satélite #8
Pedro Azevedo é pesquisador, crítico e programador de cinema e artes visuais. Doutorando em Artes pela UFC e mestre em Estudos de Arte pela Universidade do Porto, foi curador do Cinema do Dragão (2013–2022) e gerente de Acervo e Pesquisa do Museu da Imagem e do Som do Ceará (2022–2023). Atua como docente em diversas instituições e dirige a colo.zone, plataforma de trânsito crítico que reúne ensaios, cursos e projetos de criadores nacionais e estrangeiros. Diretor de programação do Janela Internacional de Cinema do Recife desde 2024, colabora com o Pivô em projetos audiovisuais e escreve sobre festivais para o jornal O Povo. Integra a Abraccine, onde fez parte da diretoria (2019–2022) e coordenou a Sessão Abraccine, sendo co-autor dos volumes sobre documentário, curta-metrágem e cinema fantástico da coleção 100 filmes essenciais. Assinou a curadoria de exposições como À Nordeste – Cinema de Reinvenção (Sesc 24 de Maio), Passeio Noturno (MIS Fortaleza) e das mostras Arquivo em Fluxo (Kamal Aljafari e Jomard Muniz de Britto) no BNB Cultural, além de ter integrado a equipe de seleção do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Noelia Portela é uma curadora de exposições independente, professora e produtora cultural baseada em Paris. Ela estudou na Escola de Arquitetura e Design da Universidade de Victoria Wellington, Nova Zelândia. Sua prática curatorial se interessa por narrativas não ocidentais, questões de mobilidade humana e identidade. Ela ocupou diversos cargos em galerias, organismos artísticos e feiras de arte contemporânea, notadamente na Nova Zelândia, na Europa e no Reino Unido, incluindo Enjoy Public Art Gallery, PeterMcLeavy Gallery, AFA Chile para a Feria Ch.Aco, VENICE DESIGN e, mais recentemente, 1-54 Contemporary African Art Fair. Seus textos foram publicados em revistas como Artishock Magazine (Chile), Relieve Contemporaneo (Argentina) e Obra Latinoamericana (Suíça). Em 2017, ela fundou a Persona Curada, um projeto curatorial itinerante e experimental sem fins lucrativos que visa promover a arte contemporânea latino-americana, colocada em perspectiva com a cena artística francesa. Com a Persona Curada, ela organiza exposições, projeções, performances e debates em colaboração com instituições e espaços de arte contemporânea. Ela foi relatora do Prêmio AWARE em 2024. Em 2025, ela é laureada do Fluxus Art Projects para uma viagem de pesquisa curatorial em colaboração com o The Showroom em Londres. Ela é membro da Heartline.
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Persona Curada foi fundada em agosto de 2017 como um projeto curatorial experimental, itinerante e sem fins lucrativos para artistas contemporâneos latino-americanos radicados na Europa. Oferecemos uma plataforma para artistas e escritores, propondo novos modos nômades de realização de exposições e de difusão artística por meio de nossos programas de exposições principais e eventos públicos. Nossa abordagem inovadora é guiada pelo objetivo de desafiar as formas dominantes de produção cultural e a maneira como ela é apresentada na esfera pública. Estamos empenhados em expandir nossos programas para além do público local através de formatos digitais. Somos uma organização sem fins lucrativos registrada (association loi de 1901) sediada em Paris.
Satélite #8

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